terça-feira, 20 de outubro de 2009

Portas de Tavira


[Rua D. Sancho II, antiga Rua Portas de Tavira. Foto JV, 1986]

A Edilidade não manteve o velho nome de Rua das Portas de Tavira e crismou-a com D. Sancho II, o rei que conquistou (?) a vila para sempre aos mouros. Sem dúvida que o nome do monarca tinha um lugar a ocupar, mas havia outros locais (ruas, praças e largos) onde não ficaria mal.

Parece-nos não andar distante da verdade localizando-a ao cimo dessa rua, junto às escadinhas de Nª Sª da Conceição.

Em 1 de Maio de 1873, João Francisco “Pimenta” e António Barão pedem terreno municipal junto às “Portas de Tavira” para construírem um prédio, mas não foi concedido porque não estava decidido por onde a estrada nacional havia de sair da vila. (1) Um ano depois, João Francisco Pimenta pede à Câmara terreno para fazer umas casas, agora fora das “Portas de Tavira”, já demolidas e no sítio que lhe for demarcado. (2) Por isso, em 1874 as portas já não existiam.

A parte cimeira da Rua D. Sancho II constituiu a “nova” vila, sendo as habitações de construção mais recente em relação ao núcleo histórico situado dentro das muralhas.

Esta “porta”, além de servir o caminho da forca, devia ser o término duma estrada que partia das proximidades de Tavira e atingia a “serra”, percorrendo as principais povoações deste concelho.

Novamente encontrámos a razão da designação de “Portas de Tavira”. Dela ainda possuímos um interessante documento, uma pedra gravada, encimada por brasão de armas real e com a seguinte inscrição ALFOMSVS VI REX PORTVGALI ET ALGARAVIORVM MDCLXI, assunto que já aqui abordámos e para não nos repetirmos.

A lápide está colocada na muralha da igreja matriz, mesmo junto ao cais velho.

Se em 1661 a “porta” existia, porque não aparece no desenho de Duarte de Armas (Século XVI)?

Tal como nas duas já referidas, as "Portas de Tavira" tinham a sua guarda própria.

NOTAS
( 1) - Acta da Sessão da C.M.A. de 1 de Maio de 1873.
( 2) -Acta da Sessão da C.M.A. de 13 de Março de 1874.